29 novembro 2014

Síndrome de Saul Parte 2

(continuação do artigo anterior...)


7)  Impaciência - Consideramos que nosso método é melhor e nos recusamos a esperar por outras pessoas que discordam de nós ou não nos entendem.

8) Desconfiança - A síndrome de Saul resulta em desconfiança. Acusamos os outros de não confiarem em nós, mas muitas vezes se trata de projeção de nossa própria desconfiança. Reflete nossa independência e se relaciona muito mais com nossa necessidade do que com a do próximo.

9) Deslealdade - Essa característica manipula dúvidas, feridas ou necessidades do próximo para recrutá-lo para nosso grupo, ganhando-o para nosso próprio ponto de vista, em vez de procurar edificar unidade, amor, perdão e reconciliação.

10) Ingratidão - Focalizamos a atenção naquilo que imaginamos que deveria ser feito por nós, em lugar de enfatizar tudo o que já foi feito por nós.

11) Idealismo doentio - Idolatramos um método, padrão ou programa e, então, o colocamos acima das pessoas, principalmente aquelas de quem discordamos. Os ideais se tornam mais importantes do que a unidade ou as atitudes corretas.

Embora a síndrome de Saul seja, com frequencia, um sintoma de sentimentos feridos ou não resolvidos de rejeição, ainda é egoísta e errada. Assim, precisa ser extirpada impiedosamente. Não existe problema de independência e inferioridade que não possa ser resolvido mediante uma humildade maior e maior quebrantamento de nossa vida.

A Bíblia promete que, quando nos humilharmos, Deus nos concederá graça (Tiago 4.6 e 7). Temos medo de "humilhação", contudo não é isso o que as Escrituras querem dizer quando falam da necessidade de nos humilharmos. A verdadeira humildade está ligada à prontidão de sermos conhecidos pelo que somos realmente e de ficarmos ao lado de Deus na luta contra nosso próprio pecado. A maioria das pessoas nos respeita mais, não menos, quando nos humilhamos e confessamos nossos pecados e necessidades. Acredito que Deus sempre o faz.

Se você foi apanhado pela síndrome de Saul, permita-me dizer que jamais se livrará desse mal enquanto não aceitar a responsabilidade de arrepender-se de atitudes erradas. De nada adiantará lançar a culpa dos próprios problemas sobre terceiros, tampouco apresentar desculpas para seus pecados. Humilhe-se diante de Deus e dos outros. Clame ao Pai em oração fervorosa.


(Extraído do livro de Floyd McClung Jr. "O imensurável amor de Deus" - Editora Vida)


27 novembro 2014

Síndrome de Saul Parte 1





   Para ajudar a identificar a síndrome de Saul, descrevo algumas características que, com frequencia, aparecem em nossa vida cotidiana:

1) Afastamento ou isolamento - A síndrome de Saul nos instiga a afastar-nos completamente das demais pessoas. O afastamento pode tornar-se um meio de encobrir ou justificar nossa recusa em perdoar as pessoas que nos magoaram ou em nos comprometer com aqueles de quem discordamos.

2) Possessividade - É egoísta a mentalidade do tipo "meu ministério", "meu grupo", "minha opinião", "meu emprego" ou "meu lugar na igreja", pois é derivada de uma atitude de independência. A Bíblia ensina que a "rebeldia é como o pecado da feitiçaria" (1 Samuel 15.23); tem origem no inferno. Essa atitude de "primeiro eu" é pecado.

3) Mentalidade de "nós contra eles" - Quando somos pegos pela síndrome de Saul, começamos a pensar pela perspectiva "nós" contra "eles", aqueles com quem concordamos contra aqueles de quem discordamos. Essa padrão de pensamento demonstra que não apenas estamos em desacordo com outras pessoas, mas também estamos julgando e criando facções na igreja.

4) Manipulação - Pessoas orgulhosas e independentes tentam por vezes manipular os outros, recusando-se a cooperar, exigindo que se faça sua vontade, criticando maldosamente ou julgando sem parar o que os demais estão fazendo. Sem dúvida, espiritualizamos nossa razão, e é esse o motivo pelo qual nossa manipulação pode ser muito perigosa.

5) Incapacidade de aprender - A síndrome de Saul faz que permaneçamos fechados diante de outras pessoas. Recusamo-nos a aceitar correção e instrução. Tornamo-nos endurecidos, indiferentes.

6) Atitude crítica e condenatória - Nós a justificamos de muitas maneiras, todavia se resume nisto: desmoralizamos e tratamos com desprezo o motivo dos outros.

(Este artigo continua na próxima postagem. Clique AQUI para acessá-la.)

(Extraído do livro de Floyd McClung Jr. "O imensurável amor de Deus" - Editora Vida)



25 novembro 2014

Depois da Oração, Aproximação



APROXIME-SE DOS PECADORES POR CAUSA DE DEUS
      Não é o bastante orar pelos pecadores e buscar a Deus em favor deles. Também devemos nos dirigir aos pecadores em favor de Deus. É preciso contar-lhes como Deus é. Muitas pessoas ousam falar com Deus, mas não têm coragem de falar aos homens. Os jovens devem ser treinados para terem a ousadia de falar aos outros. Eles não devem apenas orar, mas também buscar oportunidades para falar. Ao falar com pessoas, há alguns pontos que devem ser especialmente observados.


1- Nunca discuta desnecessariamente

Precisamos de um pouco de técnica para falar com as pessoas. Antes de tudo, não devemos entrar em argumentos desnecessários. Isso não quer dizer que nunca devemos argumentar, porque em Atos vemos vários exemplos onde surgiram discussões; até mesmo o apóstolo Paulo argumentou. Mas quanto àquele que você deseja ganhar para Cristo, normalmente é melhor que você não entre em discussões. Não discuta com ele. Por que? Porque a discussão pode afastar as pessoas ao invés de atraí-las.

Muitos pensam que a argumentação pode mover o coração de uma pessoa. Mas isso não é verdade. A argumentação quando muito pode subjugar a mente de alguém. Por isso, é melhor falar menos palavras que vem da mente e testemunhar mais. Diga às pessoas como você tem exp0erimentado alegria, paz e descanso depois que creu no Senhor Jesus. Esses são fatos contra os quais ninguém pode argumentar.

2- Prenda-se aos fatos

Outro método para conduzir pessoas ao Senhor é usar fatos e não doutrinas enquanto fala. Não é por causa da racionalidade da doutrina que as pessoas chegam à fé. Muitos enxergam a lógica da doutrina mas mesmo assim não creem.

Geralmente as coisas simples é que podem salvar almas. Aqueles que pregam bem sobre as doutrinas podem corrigir a mente das pessoas, mas falham no salvar almas. O propósito principal é salvar pessoas e não corrigir a sua mente. Qual é a utilidade de corrigir a mente se as pessoas se perderem?

No pregar o evangelho ou testemunhar por Cristo, não tenha medo de ser ridículo. O melhor cérebro dificilmente pode salvar pessoas. Ainda estou para ver uma boa inteligência salvando almas, porque quando alguém usa seu cérebro sempre se volta para a doutrina. Anuncia a doutrina claramente mas esta não é a forma exigida pelo evangelho. Você precisa conhecer a maneira de Deus.

3- Mantenha uma atitude sincera e séria

Ao testemunhar, nossa atitude deve ser sincera e séria, e não leviana. Não devemos argumentar, mas apenas contar os fatos que temos experimentado diante de Deus. Se permanecermos nesta posição, poderemos conduzir muitos ao Senhor. Não procure ter um grande cérebro; apenas saliente os fatos. Podemos brincar com outros assuntos mas com este devemos ser sinceros.

Ao testemunhar, nossa atitude deve ser sincera. Precisamos inculcar nos outros que este é um assunto muitíssimo sério.

4- Peça a Deus oportunidades

Devemos pedir que Deus nos dê oportunidades para falar com as pessoas. Se orarmos, as oportunidades nos serão concedidas.

Portanto, devemos aprender a orar e também a falar. Muitos não ousam abrir suas bocas para falar do Senhor Jesus aos seus amigos e parentes. Talvez as oportunidades estejam esperando por você, mas você tem deixado estas oportunidades passar por estar temeroso.

5- Procure pessoas da mesma categoria

Segundo nossa experiência no passado, é melhor para as pessoas buscarem e salvarem aquelas da mesma categoria. Esta é uma regra geral. As enfermeiras podem trabalhar entre as enfermeiras, os médicos entre os médicos, pacientes entre pacientes, funcionários públicos entre funcionários públicos, estudantes entre estudantes. Trabalhe com aqueles que estão mais perto de você. Não é preciso começar com reuniões no templo, mas em conversas com sua família e conhecidos. É natural para os médicos trabalharem com seus pacientes, professores com seus alunos, empregadores com seus empregados, senhores com seus servos.

As crianças devem trabalhar com crianças. É bem conveniente trabalhar de acordo com esta regra de permanecer dentro da mesma categoria. Os homens devem abordar homens, e as mulheres, mulheres. Não digo que isso seja obrigatório, mas pela nossa experiência passada parece ser o meio mais eficaz.


6- Leve pessoas a Deus diariamente em oração.
(Extraído da coleção escrita por Watchman Nee "Lições Básicas)

23 novembro 2014

Conduzindo Pessoas A Cristo

COMO CONDUZIR PESSOAS A CRISTO




   1) Prepare um caderno de anotações

A primeira coisa a fazer é ter um caderno. Peça a Deus para colocar em seu coração os nomes daqueles que Ele deseja salvar. Sem dúvida você será encorajado em seu coração a orar por alguns, ou mesmo por dúzias de pessoas.

Não prepare esta lista de nomes descuidadamente, pois seria perder tempo. O importante é que antes de anotar os nomes você primeiro peça ao Senhor para coloca-los em seu coração. Para que o trabalho seja bem feito, ele deve ter um bom início. Ao levar este assunto diante do Senhor, Ele dará a você nomes de certas pessoas pelas quais orar. Pessoas de sua família, amigos, colegas, companheiros de escola e conhecidos virão espontaneamente ao seu coração. Você espera que essas pessoas sejam salvas brevemente.

Inclua esses nomes no seu caderno de anotações, numerando-os à medida que vão sendo inseridos. À esquerda dos nomes, escreva a data em que começou a orar por aquela pessoa, e deixe um espaço em branco ao lado do nome para ser preenchido com a data na qual aquela pessoa em particular vier a ser salva. Após inserir um nome, ele não deverá ser removido até que a pessoa seja salva ou venha a falecer. Enquanto o nome estiver lá, você deverá orar pela pessoa até que seja salva.



   2) Oração é o trabalho básico na salvação de almas

Por que você deve preparar um caderno de anotações? Porque existe um princípio básico na salvação de almas, que é o de orar a Deus antes de conversar com alguém. Primeiro peça a Deus e então vá conversar com a pessoa. É absolutamente necessário que você fale com Deus em favor da pessoa a quem irá falar mais tarde. Se você falar primeiro com ela, não será capaz de realizar nada.

Portanto, a primeira coisa a fazer é pedir a Deus por algumas almas. “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim” (João 6.37), disse o Senhor Jesus. E lembramos como Deus acrescentava à Igreja, dia a dia, aqueles que iam sendo salvos (Atos 2.47). Devemos pedir a Deus por almas. Precisamos orar: “Ó Deus, dê almas ao Senhor Jesus, acrescente pessoas à Igreja”. As pessoas são dadas quando pedimos. Os corações humanos são tão cheios de sutilezas que não se convertem facilmente. Por esta razão devemos orar fielmente por uma pessoa antes de conversarmos abertamente com ela. Quão importante é a oração! Ore nominalmente em favor das pessoas a quem deseja conduzir a Cristo, creia que Deus irá salvá-las e depois leve-as ao Senhor. 



   3) O maior obstáculo à oração é o pecado

Os crentes devem ter especial cuidado em rejeitar todos os pecados conhecidos. Devemos aprender a viver uma vida santa diante de Deus. Se alguém é negligente na questão do pecado, sua oração definitivamente encontrará um obstáculo. O pecado é um grande problema. Muitos não podem orar porque toleram pecados em sua vida. O pecado não irá somente obstruir nossas orações, irá arruinar também nossa consciência.

Os novos crentes precisam cuidar para que a questão do pecado seja resolvida caso desejem ser eficazes na oração. Assim, eles devem notar especialmente a preciosidade do sangue. Eles viveram em pecado tanto tempo que não serão capazes de se libertarem por completo se tiverem ainda qualquer indulgência para com ele. Precisam confessar seus pecados um por um diante de Deus, rejeitar cada um deles, e ficar livres deles. Desse modo sua consciência será restaurada. Com o lavar do sangue, a consciência não mais acusa e a pessoa pode ver naturalmente a face de Deus. Nunca caia numa posição que o enfraquece diante de Deus, pois assim não será capaz de interceder por outros. Portanto, a questão do pecado é a primeira coisa à qual você deve prestar atenção diariamente. Trate completamente do pecado, e então você poderá orar bem diante de Deus as pessoas a Cristo. Se diariamente você se lembrar das pessoas diante do Senhor, com fé, logo irá ganha-las para Cristo.



   4) Orar com fé

Após tratar com seus pecados e manter uma consciência forte diante de Deus, os crentes devem receber ajuda para ver a importância da fé.

Realmente, a vida de oração dos novos crentes está ligada acima de tudo com a consciência e a fé. Apesar da oração ser algo muito profundo, para os novos crentes trata-se unicamente de um assunto de fé e consciência. Se sua consciência diante de Deus estiver sem ofensa, sua fé pode facilmente ser forte. E se sua fé for suficientemente forte, sua oração será prontamente ouvida. Portanto, é necessário que eles tenham fé. O que é fé? É não duvidar na oração. É Deus quem nos constrange a orar. É Deus quem nos diz que podemos orar a Ele.

A fé vem pela Palavra de Deus. Pois a Palavra de Deus é como o dinheiro que pode ser tomado e usado. A promessa de Deus é a obra de Deus. A promessa de Deus nos fala como é a sua obra, e a obra nos manifesta a promessa de Deus. Se cremos na Palavra de Deus e não duvidamos, permanecemos na fé e vemos quão digno de confiança é tudo o que Deus tem falado. Nossas orações serão respondidas.



   5) Aspire por saber como orar

Encoraje jovens crentes a serem ambiciosos em saber como orar. Inspire-os a desejarem ser poderosos diante de Deus. Algumas pessoas são poderosas diante de Deus, mas outras não o são. O que significa ser poderoso diante de Deus? Simplesmente que quando uma pessoa ora, Deus ouve. É como se Deus se deleitasse em ser influenciado pelo homem. 

É glorioso o fato de Deus desejar ouvir as nossas orações, que Ele confie em nós ao ponto de conceder-nos tudo o que pedimos. Deixe que isso seja a sua mais profunda expectação desde o início de sua vida cristã. Anote em seu caderno os nomes daqueles por quem você sente a responsabilidade da salvação, e ore por eles, um por um. Se o tempo tiver passado e você continuar sem resposta, você deve ter tratos especiais com Deus. Sem dúvida algo deve estar errado. E isso nos mostra o valor de tal caderno. Isso nos leva a saber se as nossas orações estão ou não sendo respondidas. 

Novos crentes devem estabelecer um tempo definido cada dia para fazerem seu trabalho de intercessão. Quer seja um período de meia hora, uma hora, ou quinze minutos, deve ser em horário fixo, pois se não fizerem isso, provavelmente terminarão não orando.


 (Extraído da coleção escrita por Watchman Nee "Lições Básicas)

21 novembro 2014

Examinando Nossa Consciência

CAPÍTULO 7


EXAMINANDO NOSSA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA




  Examine diligentemente sua consciência e, com o máximo de suas forças, deixe-a às claras, com verdadeira e humilde contrição; para que você não sinta peso, nem saiba de nada que possa criar remorso de consciência, e impedir sua aproximação. Pense com desprazer em todos os seus pecados, no geral, e mais particularmente chore e lamente suas transgressões cotidianas. E, se o tempo permitir, confesse a Deus, no íntimo secreto de seu coração, toda a miséria de suas vis paixões. Suspire e se lamente por você ser ainda tão carnal e mundano, tão sujeito às paixões que não foram mortificadas; tão cheio dos impulsos de paixão carnal, tão pouco vigilante sobre seus sentidos externos, tantas vezes enredado em vãs imaginações. Tão inclinado a coisas exteriores, tão negligente em coisas interiores. Tão frivolamente movido ao riso e jovialidade desenfreada, tão dificilmente às lágrimas e contrição. Tão rápido para atender ao conforto e prazeres da carne, tão embotado no zelo e rigor da vida. Tão curioso para ouvir novidades, e ver o que é belo, tão relaxado para abraçar o que é humilde e pobre. Tão cobiçoso da abundância, tão mesquinho no dar, tão fechado no guardar. Tão insensível no falar, tão relutante em guardar silêncio. Tão rude nas boas maneiras, tão impaciente na conduta. Tão ansioso quanto à comida, tão surdo à Palavra de Deus. Tão veloz para o descanso, tão lento para o trabalho. Tão acordado depois dos casos fofoqueiros, tão sonolento nos trabalhos religiosos da noite; tão apressado para chegar ao fim, tão inclinado a divagações e desatenções. Tão descuidado em observar os horários de oração, tão morno em celebrar, tão seco em comunicar. Tão depressa distraído, tão raras vezes completamente em posse de si. Tão repentinamente levado à ira, tão capaz de se aborrecer de alguém. Tão pronto para julgar, tão severo para repreender. Tão alegre na prosperidade, tão fraco na adversidade. Tantas vezes tomando boas resoluções, contudo executando-as, finalmente, com tão fraca determinação.


  Confessados e chorados estes e outros defeitos, com tristeza e grande desprazer, por sua própria debilidade, resolva firmemente estar sempre melhorando sua vida, e fazendo progresso em tudo que é bom.


  Então, com resignação completa e com sua vontade inteira, ofereça-se para honra de meu nome, uma oferta queimada perpétua no altar de seu coração, entregando seu próprio corpo e alma fielmente a mim.


20 novembro 2014

Natureza e Graça

CAPÍTULO 54

NATUREZA E GRAÇA

A IMITAÇÃO DE CRISTO – THOMAS À KEMPIS




   Meu filho, observe diligentemente os movimento da natureza humana e da graça divina. Pois elas se movem de modo contrário e sutil, e dificilmente são diferençadas, a não ser por aquele que é espiritual e iluminado em seu interior. Todos os homens, realmente, desejam aquilo que é bom, e pretendem algo bom nas palavras e ações deles, e por isso, sob a aparência do bem, muitos são enganados.

  A natureza é astuta e faz com que muitos desistam; prende-os, engana-os, sempre com o eu, por alvo. Mas a graça caminha em simplicidade, abstém-se de toda aparência do mal, não se abriga debaixo de enganos, faz todas as coisas puramente, por amor a Deus, em quem repousa finalmente.


   A natureza detesta morrer ou ser reprimida, ou ser vencida ou sujeita ou prontamente abrandada. Mas a graça considera mortificar-se, resiste à sensualidade, busca estar em sujeição, anela ser derrotada, não tem desejo de usar sua própria liberdade. Ama ser conservada sob disciplina, e não deseja estar em autoridade sobre ninguém, e sim viver, colocar-se e estar sob Deus, e, por sua causa, estar pronto, humildemente, “a sujeitar-se a toda autoridade constituída” (1 Pedro 2.13).


   A natureza se empenha por sua própria vantagem, e considera que proveito pode tirar em cima de outrem. A graça considera não o que é proveitoso e útil para si, e sim o que pode resultar no bem de muitos (1 Coríntios 10.33).


  A natureza recebe, de bom grado, a honra e reverência, mas a graça fielmente atribui toda honra e glória a Deus.


   A natureza teme a vergonha e humilhação, mas a graça se regozija em sofrer vexame pelo nome dele (Atos 5.41).


  A natureza ama o lazer e descanso corporal; a graça não sabe ficar desempregada e se atira ao trabalho, com alegria.


  A natureza busca ter as coisas que são curiosas e belas, e detesta aquelas que são baratas e grosseiras. Mas a graça se deleita naquilo que é simples e humilde, não despreza as coisas grosseiras, nem recusa ser vestida daquilo que é velho e remendado.


  A natureza respeita as coisas temporais, alegra-se com os lucros terrenos, se entristece por perdas, irrita-se por qualquer palavrinha de pouco caso. Mas a graça olha para as coisas eternas, não se apega às temporais (2 Coríntios 4.18), não se perturba com revezes, nem se azeda com palavras duras, porque colocou seu tesouro e alegria no Céu (Mateus 6.20), onde nada perece.


  A natureza é cobiçosa, está mais pronta a receber do que dar, e ama ter coisas pessoais que lhe pertençam. Mas a graça é bondosa, tem mão aberta, evita o interesse no particular, contenta-se com poucas coisas, julga que “há maior felicidade em dar do que em receber” (Atos 20.35).


  A natureza inclina o homem às criaturas, a sua própria carne, a vaidades, a andanças. Mas a graça atrai a Deus e às virtudes, renuncia as criaturas, evita o mundo, detesta os desejos da carne, refreia as andanças, cora de vergonha de ser vista em público.


  A natureza está disposta a ter algum consolo exterior, no qual possa deleitar os sentidos. Mas a graça busca consolo apenas em Deus, e o ter deleite no bem superior, acima de todas as coisas visíveis.


  A natureza consegue tudo para seu próprio ganho e proveito. Nada pode fazer sem ser paga, pois, pela bondade, espera obter algo de igual valor ou algo melhor, ou pelos menos louvor ou favor, e ter bem valorizadas suas ações, dádivas e palavras. Mas a graça não busca coisas temporais, nem deseja outra recompensa por paga, além de Deus somente, nem pede mais necessidades temporais, exceto enquanto lhe sirvam para a obtenção de coisas eternas.


  A natureza se alegra em ter muitos amigos e parentes. Gloria-se em locais nobres e nascimento nobre, sorri para os poderosos, adula os ricos, aplaude aqueles que lhe são semelhantes. Mas a graça ama até inimigos, e não se vangloria com multidão de amigos; nem considera importante o lugar ou a família nobre de onde vem a pessoa, a não ser que haja maior virtude. Favorece os pobres mais que os ricos, tem maior simpatia pelos inocentes do que pelos poderosos, alegra-se com o homem verdadeiro, não o fingido. Está sempre exortando os bons a “buscar com dedicação os melhores dons” (1 Coríntios 12.31), e pelas virtudes tornar-se como o Filho de Deus.


  A natureza logo reclama de carência e dificuldades; a graça suporta a necessidade com constância.


  A natureza faz tudo retornar a si, lutando e argumentando a seu próprio favor. Mas a graça retorna tudo a Deus, de quem originalmente fluiu. Não atribui bem nenhum a si, nem presume com arrogância; não briga, não prefere sua própria opinião acima de outras. Mas em todo assunto de razão e entendimento, submete-se à sabedoria eterna e ao juízo divino.


  A natureza se apressa para saber segredos e ouvir novidades; ela gosta de aparecer e verificar muitas coisas com seus próprios sentidos. Deseja ser reconhecida e fazer coisas pelas quais poderá ser elogiada e admirada. Mas a graça não cuida de ouvir novidades ou assuntos curiosos, porque tudo isso surge da velha corrupção do homem; visto que sobre a terra nada existe que seja novo, nada durável. A graça ensina, pois, a reprimir os sentidos, a aborrecer vã autogratificação e ostentação, a esconder humildemente aquelas coisas que valem ser admiradas e elogiadas, e de todo assunto e todo conhecimento buscar fruto proveitoso, e o louvor e honra de Deus. Não quer que ele mesmo seja aclamado publicamente, e sim deseja que, em suas dádivas, seja bendito Deus, que, por mero amor, concede todas as coisas.


  Esta graça é uma luz sobrenatural, e um dom especial de Deus, e o sinal apropriado dos eleitos, e o penhor da salvação sempiterna. Ela ergue o homem das coisas terrenas ao amor das coisas do Céu, e o ser carnal ela torna um homem espiritual. 


  Assim, quanto mais a natureza for reprimida e subjugada, tanto maior graça e derramada na pessoa. E, cada dia, com novas visitações, o homem interior vai se transformando, segundo a imagem de Deus.

17 novembro 2014

Conceitos e Escrituras Para Reflexão






Sobre Liderança Espiritual



* O orgulho é perigoso para os líderes imprudentes porque pode ser destruidor pela maneira como entram em sua vida.

* Considerando que os líderes autênticos assumem a responsabilidade por um desempenho ruim de sua organização, líderes sábios reconhecem os esforços de seus seguidores como cruciais para o sucesso da organização.

* O orgulho leva os líderes a buscarem os refletores.

* Líderes espirituais são servos de Deus, mas o orgulho pode fazer com que ajam como se Deus fosse seu servo, obrigado a responder a suas orações egoístas e a abençoar seus projetos grandiosos.

* O orgulho é um pecado que corrompe as pessoas e faz com que elas não sejam receptivas à orientação de Deus, a conselhos sábios e apoio de outros.

* Os líderes são mais vulneráveis na área em que possuem força maior.

* O pecado sexual tem o poder abominável de destruir uma carreira, uma família e uma reputação, tudo de um único golpe.

* Os líderes deveriam ouvir seus próprios conselhos.

* A liderança é algo que lida com pessoas, e pessoas, invariavelmente, decepcionam.

* Verdadeiros líderes enfocam o que está certo e o que traz esperança, não o que está errado.

* Muitos líderes cristão têm resistido à tentação de buscar ou aceitar automaticamente posições simplesmente porque oferecem um salário maior.

* Os líderes não se atiram às conclusões. Eles processam fatos e procuram determinar a verdade de sua situação.

* Os líderes e aqueles que eles amam estão muito mais seguros sendo criticados por fazer a vontade de Deus do que se eles fossem elogiados por não fazê-la.

* Líderes espirituais não agem ao acaso. Agem intencionalmente.

* Líderes mais velhos tendem a ter dificuldade de dar sua benção à nova geração de líderes.


Provérbios 27.2
Daniel 4.29-31
Provérbios 6.16-17
Juízes 16.15-21
João 15.5
2 Coríntios 11.28-29
Provérbios 16.18 / Tiago 4.6 / Lucas 18.14
Provérbios 14.12
Provérbios 7.24-26
Gálatas 6.7
Provérbios 14.15
Isaías 54.17
João 15.20
Deuteronômio 6.4-9
Ezequiel 34.1-10


(Extraído do livro "Liderança Espiritual" capítulo 10: As armadilhas do líder - O que desqualifica um líder?, de Henry e Richard Blackaby - Editora Bom Pastor)
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